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Enviado em 05/02/2012
— Você usa a mão inteira?
— De vez em quando, mas prefiro mesmo quando são só três dedos, esfregando a ponta. Sinto um tesão do cacete, e a porra sai com mais vontade. A de hoje foi assim.
O diálogo entre os garotos acontecia durante uma aula eventual, ocasião em que eles aprendiam sobre sexo por si próprios. Mas a escola também ensinava algo: o professor falta e encaixam um substituto; o aproveitamento não é o mesmo, mas serve para suprir a necessidade do momento. Em outras palavras, quando o pênis ereto pede uma vagina lubrificada, a mão cuspida é a melhor substituta.
— Nossa, tô desde ontem sem. O foda é que o pau fica duro só de pensar na coisa.
— Vai pro banheiro e se acaba lá, ué!
Sete em dez garotos adolescentes usam ou já usaram a mão direita para acalmar os hormônios; os outros três usam a esquerda, ou por serem canhotos, ou porque já se acostumaram com a mão oposta. A verdade é que, após os doze anos, a urina e a defecação deixam de ser as únicas necessidades fisiológicas e chega uma terceira, a do estímulo sexual.
— Vamos fazer uma aposta, nós três? Quem aguenta mais tempo sem?
— Beleza! A gente bate a última na hora do intervalo?
— Melhor esperar chegar em casa. Vamos combinar um horário e fica valendo a partir daí. Mas não vale mentir; se fizer, tem que sair do jogo.
Eles tinham 15 anos, com exceção de Pedro, que já tinha 16, mas era o único ainda virgem do trio. A brincadeira erótica que inventaram serviria para medir o autocontrole de cada um. O prazo para o jogo era de quarenta e sete dias. Se os três sobrevivessem a esse tempo, todos seriam considerados vencedores. Por isso, nomearam a brincadeira secreta de Desafio 47.
O primeiro dia foi desesperador. Para quem está envolvido em um vício diário, as primeiras vinte e quatro horas distante do tal são enlouquecedoras. Mas depois do segundo dia, a maré baixou. Até que completasse uma semana, e os três garotos sentissem o máximo de erotização no pouso de uma borboleta sobre o dedo indicador de um deles.
— A gente precisa encontrar uma solução de driblar as regras do Desafio 47.
— Sexo tá valendo, né? Sexo é diferente de masturbação.
— Isso é verdade! Nós não podemos fazer, mas isso não impede que uma mina faça por nós.
Pedro ouviu o acordo e não quis contrariar a ideia, mas sabia que estava em uma grande enrascada. Os amigos eram desinibidos, conseguiriam as garotas que desejassem quando sentissem necessidade disso. Assim, enquanto os colegas se aliviavam, depositando o néctar da multiplicação humana na pandora de suas ficantes, ele era obrigado a manter o equilíbrio e ignorar a sensação de que seus testículos estavam prestes a explodir.
Passadas duas semanas de hormônios em busca da liberdade e lençóis melecados durante a noite, Pedro pensou seriamente em abandonar o jogo. Tentaria um emprego de gigolô antes, se isso ajudasse, mas não tinha corpo atraente o bastante para colocar uma regata justa e passar a madrugada sob a luz oscilante de um poste de esquina. Foi sincero e confessou seu drama aos colegas.
— Preciso descarregar urgente, senão hoje interrompo as férias da minha mão.
— Bote uma roupa legal que à noite vamos ao Castelo do Drácula.
Castelo do Drácula era a casa noturna mais popular da região, o único que oferecia as mais modernas festas, de domingo a domingo. A balada mais comum e mais procurada era o Baile do Vampiro, o evento mais tradicional do lugar, em que eram permitidas fantasias diabólicas para que a pista de dança se transformasse na melhor substituta para a Pensilvânia. Era proibido a menores, mas nada que um documento falsificado e uma gorjeta ao segurança não resolvessem.
A maquiagem de Pedro não ocultava seu desconforto. Por trás do rosto branco e das olheiras feitas com sombra de um-e-noventa-e-nove, o garoto se sentia nervoso e sem saber o que fazer ali dentro. O amigo, antes de partir com uma vampira desconhecida até a pista de dança, o aconselhou apenas a relaxar, curtir o momento e esperar que uma garota aparecesse para lhe transformar em um morceguinho na base dos mimos.
Tomava uma dose de campari, que a imaginação deveria entender que era sangue, e ia se soltando aos poucos. No último gole, já se sentia em casa, acessando seus pornôs preferidos com direito a fantasias. A movimentação dentro da cueca indicou-lhe que era o momento de agir e acabar com seu drama juvenil.
A garota do outro lado do bar teve uma reação vampírica e percebeu que o sangue de Pedro estava borbulhando de desejo. Já fazia alguns meses que estava sem uma criatura do sexo masculino que fosse capaz de saciar sua fome. Ajeitando os seios que não eram grandes, mas no tamanho certo para provocar, seguiu na direção de seu alvo.
— Olá, meu Edward! Tenho chances de ser sua Bella?
Os olhos de Pedro se encontraram com um rosto pálido e lábios luxuriosos, mas logo baixaram para focar sua visão na perfeição feminina que ela carregava no busto. Desviou-se dos pensamentos eróticos, dos trajetos que a língua gostaria de fazer, e deu uma resposta simpática.
— Prefiro que você seja minha Rogue.
A paixão por X-men jamais permitiria que aquela garota tão excitante fosse comparada a uma protagonista de cenas pseudorromânticas; preferia algo mais heroico e ao mesmo tempo selvagem, uma menina que fosse capaz de amortecer todos os seus sentidos com um único toque. Assim, penetrado na ilusão mais profunda que já havia tido em dias, deixou o álcool falar por si e foi direto no objetivo.
— Que tal uma chupadinha?
— Sugo até a última gota.
Além de ter encontrado uma garota que fizesse sexo, deu a sorte de encontrar uma que estava disposta a fazer sexo oral. Agradecendo mentalmente à sua quinzena de abstinência total, o que deixava tudo quinze vezes mais estimulante, deu a mão para a vampirinha que havia acabado de conhecer, e ambos seguiram para o terreno baldio atrás da casa noturna. Era madrugada, não corriam o risco de serem flagrados.
A garota encostou Pedro na parede e levou sua língua ao encontro dos lábios dele. O beijo só serviu para que o garoto ficasse ainda mais excitado e sentisse as cócegas de um pré-orgasmo causado pelas preliminares. Percebendo o descontrole do parceiro e o desejo incontrolável de que ela continuasse conduzindo o momento, ajoelhou-se e alinhou sua boca à braguilha da calça de flanela que ele usava.
Pedro olhou para baixo, viu o esmalte preto descendo o zíper e sentiu os dedos gelados tocando seu órgão quente e no máximo de rigidez que ele já havia alcançado — parecia que a maior parcela de sangue do corpo havia sido levada para as genitais. Após dezesseis anos sem sair da toca, o amigo inseparável de Pedro finalmente conheceria o melhor presente que um habeas corpus era capaz de fornecer.
A boca úmida tocou na glande e fez Pedro conter um pulo. Descobriu-se hipersensível. Sentiu a língua passar pelo prepúcio e fechou os olhos automaticamente. Curtia cada milímetro de seu pênis entrando na boca da garota que nem havia falado o nome, mas que era indiscutivelmente sensual. De repente, aconteceu algo que não estava em seus planos: os caninos dela fincaram-se abruptamente no pênis.
Pedro gritou bem alto quando sentiu a dor, mas não podia ser ouvido por causa do lugar deserto em que estavam e da música estourando decibéis ao lado. Enquanto era sugado, ele caía enfraquecido no chão com a certeza de que aquele era seu fim no Desafio 47. Ela, com a boca escorrendo sangue, atingia o orgasmo.
wesley escreveu:
gostei muito do seu conto, mesmo sendo ficticio. Você escreve muito bem. Parabens.
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