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Amante da lua

 

 

A lua amante... Clube da Pimentinha.jpg

Amante da Lua

Alta noite, sem sono, desço ao jardim do hotel. 
Caminho lentamente e sinto uma brisa boa que vem da lua.
 
 

Fecho os olhos e a sinto por todo meu corpo, que, coberto só com um vestido de seda, parece flutuar, leve e solto. A brisa invade-me inteira. E, assim, parada, luz só da lua, que me ama como nunca.

 

Sinto-me confidente dela, nós duas nuas de frente uma pra outra. Sim, nuas. Tiro o vestido, levanto os braços, fecho os olhos e giro, giro, sinto um êxtase pelo corpo, uma liberdade. Sinto-me mulher, como nunca me senti.

Minutos depois, olhos acostumados à escuridão, percebo um corpo deitado no gramado. É um homem. Está nu? Coloco o vestido e fico ali, parada, observando aquele corpo, deitado, braços e pernas abertas, amando a mesma lua que eu. Eu, a lua, e o desconhecido. 
Sinto-me a verdadeira maluca, não resisto, me aproximo e percebo que não está nu, usa um calção. Deixo que me veja, enquanto passo quase do seu lado, fingindo olhos fechados, braços abertos, e me ajoelho à sua frente, de costas pra ele, de frente pra lua.
 
Sinto que minha respiração já não é mais a mesma, sinto que meu corpo quer se entregar à lua, ao homem e, ainda nestes pensamentos, sinto uma mão na minha cintura. Não reajo. Sinto a outra. Uma desce pela perna, outra sobe pelas costas. Uma levanta minha saia, e me descobre nua por baixo. Outra toca meu pescoço entrelaça os dedos nos meus cabelos e num só movimento me força pra frente com o corpo e me puxa a cabeça pra trás. E me vejo assim, de quatro, de frente pra lua, com um desconhecido a me tocar, a me acariciar e, como nunca fiz antes, desejo ser amada assim, como cadela, sem rodeios. Apoio os cotovelos na grama, meu rosto entre eles, e espero, anseio e recebo aquele homem dentro de mim.
 
Sinto a brisa da lua, a mesma brisa me rodeando, me tocando todo o corpo. Sinto aquele homem pulsando, me amando; aquele homem que não tem rosto, aquela lua que, amiga, é minha única testemunha e proteção.
 
Ela me abençoa, sinto. E sinto que, embora pareça o contrário, eu fiz o que quis com aquele homem, sem perguntar o nome, sem saber quem era, e ele se foi. 

Fico ainda um momento ali, entregue na grama, deitada, aberta, amada. Cheia do poder e do amor que a lua me amou.
 
Não foi um homem, foi a própria lua que me amou naquela noite 

 





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